do cosmo do corvo

(M)ar

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Julho 27, 2008

São muitas as vozes de meu silêncio. Redemoinham ao meu redor sem que consiga tocá-las o centro. São de um silêncio oceânico que me sufoca. Este turbilhão de vozes que finge ser de um mundo esquecido quase todo feito de vento é meu veneno.  No entanto, as minhas vozes não perdem o mundo como as suas ondas perdem o mar. São vozes que não se deixam. Não se encerram em qualquer leito. Volto ao espelho sem ter quem olhar. São tantos os silêncios soprados aos meus ouvidos que parecem gaivotas surdas cansadas de voar. Batem no vidro e voltam a soluçar. Alguém se esconde ou volta ao lar. A solidão quando bela não se faz voz no olhar. A solidão é coisa terna. Ela só não sabe quem amar. É bom estar sozinho quando se sabe que olhos expor. É sempre bom carregar doses de solidão para que não se perca por caminhos abandonados com paredes que foram arrancadas aos dentes e que permanecem sem estarem lá. Zele bem de seu caminho para que nele não se afogue. Não tenha pressa, pois, é minha aquela canoa em alto-mar. Quando te vi, pedi, sem falar, que me olhasse junto as ondas de seu olhar. Você se conservou sempre oscilante. Nunca saberá se as venci ou se virei mar. Nunca saberá que vozes foram aquele instante.

desvendando o sol

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Julho 24, 2008

A manhã, por dentro e por fora, cicatrizava. Qualquer coisa sem importância escorria pelo chão. Esta pequena cicatriz me causou algum susto. Meus nervos queimavam. Não notara, até então, o tubo que me ligava a você. Hoje estive prestes a gritar. Procurara a minha boca. Não descobri meus ouvidos. Todos os meus sentidos me ligavam a você. Um tubo, um tudo, me causava quase nada e quase um mundo. Eu tinha os seus olhos, respirava seu ar, tinha uma boca que não era minha. Seu rosto me sorria. Suas mãos alisavam seu corpo, sua pele, com estranho encanto. Só agora eu descobri: eu me tornara você e você me tinha. Deveria ter estado, durante todo o tempo, unida a mim enquanto eu me partia. Dividia comigo as amarguras que me consumiram em sua ausência. Compartilhava meu sono e meus tombos. Nus, rasgávamos o tempo. De nada eu sabia. Só agora se tornaram delicadas e quentes as gotas que daquele corpo escorriam. Apenas aquele corpo morria. Morria enquanto trepávamos as noites para desvendarmos o sol.

s(e)eu

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Julho 21, 2008

somem os dias
simplesmente
somem
sem dizerem
que motivos
escondem

peço aos dias
que não sejam
tão escuros

os dias estão mudos
escusos

os dias não
se distanciam
de mim

não querem
ter fim

sendo
assim

não
mais
raiarão
espinhos

todos
perderemos
caminhos

e fim

O silêncio beija palavras

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Julho 19, 2008

Tenho sintomas de silêncio.
Sinto que o silêncio entrelaça nas entonações das palavras um resto de chuva.
Seu sabor de nuvem umedece as palavras.
Seu silêncio beija palavras.
O silêncio desenha sua própria voz.
Deixa-se nas pálpebras da liberdade.
Não precisa ser dito.
Não precisa ser som.
Desobriga-se de um sentido que toque os lábios.

Respirar! (Poema Imagem / 2006)

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Julho 14, 2008

Olhar Dois Disso (I)

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Junho 26, 2008

Arraiada Cosmos Mestre Se Calada Depressa Morto.

Cada De Ilegmvel Onirismo Riu Sumno Osso.
Ca De Espinhento Morto Soturno Sono Nossos Nu.
Obcecador Nodoso Mulher Sino

Desnaturalidade Medonho Feio Mesmo Penso.
Assarapantar Imundice Gente Neve Me Da Desespero Podre Visto.

Caca Espelho Nmquel Ritmo Tom Nos Espia Negro Ovo.

Mescla Sonho Rito Cavalete Psique Pronome Gnomo.
Ressentimento Eh Ponto O;
Frente Erotismo Pleno; Medigco Menos Sino Rosto.

Ectoplasma Amplo Se Eu.

Descabidamente Ego Possuir Psiu Sono Susto.
Desacobardar Fundido Semnome Neste Nem Pops.

Agambarcar Aspas Somar Smmio Mono.
Desengano Anzol Toque Nulo.

Palposdearanha Gnose Quem Toque Eu?

*Anagrama do poema Da íris dos olhos (I).

Da íris dos olhos (I)

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Junho 25, 2008

As recordações mais remotas estão marcadas pela dor.

O amor é um relógio medindo suaves silêncios.

Noto seus ponteiros contornando meus sonhos.

Acordo encobrindo os olhos.

O tédio mundano e os espelhos em nada diferem.

Nunca estive na imagem representada por estes pedaços de vidro.

Narciso tem olhos que contemplam o apego inverso.

Tenho, somente, ponteiros;

Ponteiros não refletem.

Ponteiros são escuros; são como gemidos internos.

Escuto palmas em apelo.

Escuto débeis passos guiando ponteiros.

Dançando funebremente em compassos perdidos.

Sombras, para mim, são como anagramas.

Na luz são algo que não entendo.

A quem se pergunta quando ao espelho?

Jazzigos + Dos Fatos Indutivos

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Junho 24, 2008

Pássaros & Grades – Frederico Martins

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Fevereiro 15, 2008

Pássa (dos)

ros

 

são(s)

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no s céu s

 

Aliena

 

ção.

 

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(d)ensejo

 

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gozar?

Horizontes Industriais

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Dezembro 16, 2007

Cidade(1), Chuvisco(2) e Cantos Fúnebres(3)

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espanto (quarta composição da série “dos fatos indutivos”)

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Outubro 29, 2007

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fundamentos (terceira composição da série “dos fatos indutivos”)

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Outubro 29, 2007

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Sonhos são buracos – Frederico Martins

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Setembro 29, 2007

O vazio em meus olhos

existe ainda que vazio

de olhos.

espelhos

escondem momentos

que fingem chover.

Caluniosas janelas.

Chuvas

são vazias

como o amor

Hoje tornei a esquecer

enquanto dormia:

Sonhos são buracos

entupidos de alegria.

Finjo que chove.

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cosmo (segunda composição da série “dos fatos indutivos”)

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Setembro 26, 2007

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