Desafogado: (ou) Segundo Capítulo dos Contratempos

Pedaços cruéis de luz espalhados por esta rua pura. Crua, acima de tudo, janela refletida no chão. Os movimentos, tão difíceis movimentos, de mãos. Mãos, edifícios. Mãos, suadas. Urubus. Ao vento. Vírgulas, E o sol. Continuo interrompendo os pés, querendo regressar. Começo a entender os motivos de pensar os passos. Entendo que uso os passos como um blefe, como uma metáfora para a vida (Morte?), um modo de sentí-la(s) grave(s). Paradigmas do abandono: caminhar dormindo, caminhar sonhando, andar sobre o sono-vigília-o-entre, perseguir o blefe, escrevê-lo, acordar a parte de mim que toca o chão: entrelinhas. Tenho os pés no chão? Eu tenho, realmente tenho, pernas? Serram-me as pernas mãos opressoras? Continuo interrompendo os pés tiranos. Uma xícara morna na rua. Pessoas ao redor. Eu serrando passos, bebendo-os. Oficio de defuntos, vício dos galhos, esporas, vésperas, aspas. Asas em aspas arquejam sob casas, muros, pés. Eu tentando compreender (corromper) durante. Passos medem tempo? Penso o tempo nos passos ou o passo dos tempos – o tempo passando – nos passos? Vagarosamente reflexivo, caminho de dia, para o dia, pensando passos. O Mundo? Pessoas? O contorno do mundo? O contorno dos olhares? Olho? Nada vejo! (escute)Passos. Tentarei não acusar as pessoas como frutos podres. Compará-las com goiabas, pêras, laranjas? Todas fenecem cheiros, todas esmagadas. Dante e Virgílio. Atravessar é preciso / que pensem os passos. Pisoteio bocas, pescoços, olhos, narizes. Pisoteio tudo que constitui este rosto podre. Esmago. Pedaços cruéis, pus espalhado por esta crua rua. Eu blefo realmente as pernas ou as serro pisando em nada? (…) Sim, eu blefo: blefo, escrevendo, um, texto, e , jogo um jogo de letras avulsas (que (tudo) expressam) entre as frases, antes. das palavras, depois. dos sentidos. (…). Todas fenecem pessoas, edifícios, urubus, pessoas, frutas, pessoas, onze horas, atos, Dante, praças, papagaios, xícaras, flores, chorume, água, vento, onças. Podres pedaços de luz espalhados por esta rua calada. Sento-me ao centro, na mesa, e, bebo meu chá engarrafado entre os carros ao sol: ofício de defuntos sem fundos no fundo da terra agora fenecem o eu lá que julgo despregado desta imagem. Chá! Chá de canela-goiaba, nariz, wanna be, boca, carros, rostos amputados, pêra, um dia a menos, contornos, parafilias, um pouco, sobre mim, descontroles, uma carroça, laranja, pescoços, banana. Chá de cadeira, sentado nela, bebendo chá de rostos.

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