do cosmo do corvo

Alegorias atadas à cama

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Agosto 7, 2008

Junto à cama. Ela. O mundo. Imóvel.  Relógio. Inumeráveis ponteiros. Pousava os olhos em si mesma. Girava. Ela sabia como se enxergar, tatear, se ouvir e se dizer. Tinha pés. Dentes. Também mãos e cobertores. A Cama. Tornara-se imóvel. Zumbido. Noite. Luz. Cortina. Vento. Ponderava minuciosamente diversas ânsias de movimentos. Prematuros e ardentes gostos derretiam os lábios. Sentia-se. Saliva. Talvez movesse somente os dedos. Seios. Queria roçar, morder, unhar, gemer. Primeiro um dedo. Língua. Suor. Calor. Uma aranha tecia, lentamente, sua queda. Debaixo do travesseiro: Mosquitos. Unhas. Riscos. Carne. O mundo escoava; coçava.  Muros pacatos. Espaços vazios. Hoje. Malícias. Já. Pimentas. Formigas. Agora. Pêlos. Queria aprender a morrer. Gozar era quase aprender. O Sangue. O Branco. Os Dentes. O Vermelho. Úlceras. Que importa este impulso se permaneço nesse momento? Pensou. Uma perna fugiu. Outra. Passos. Uma sombra se projetou na parede. Duas. Permaneceram. Jornal. Cadeira. Telefone. Cigarro. A aranha sabia dos pés mesmo sem tê-los. Atados. As teias. As veias. O Pulso. Eu. Matei e não me arrependi. Morri sorrindo. Lençóis. Mãos. Sua linda nuca. O ruído de dois corpos apodrecendo.

2 Respostas

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  1. Patrícia disse, em Agosto 7, 2008 às 4:27 pm

    you were right, I liked. Anyway, it´s great!

  2. karliene disse, em Março 2, 2009 às 12:26 pm

    Ô maldade…


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