Querer: As manhãs.
Te quero as manhãs. Entrever a aurora orvalhando na pele suas rosas. Te quero as manhãs para sobrevoar o fim. O renascer dos lábios que me devoram e destroçam. Teu olhar que germina destruição, triste como um triste cão. O céu também deseja que lhe envolva. Avessos voam os pássaros buscando seus seios, ninhos, em vão. Qual abelhas, os pássaros, buscam no mel um resto que lembre seu corpo. As nuvens já não choramingam. Elas aprenderam a lua. As nuvens escapam da lua quando não ocultam os desejos. Repare bem a multidão. São tantas as horas, as ruínas, nos rostos. Percebe como cavam fossas sem saberem aonde chegarão ou quem se tornarão? Não percebem que sempre será insuficiente o oxigênio e a força dos braços. Será, também, essa a nossa sina? Nunca! Sabemos que não existe destino que não o toque. Não existem destinos, nem esperanças, que nos deite no chão. Nós nos deitaremos sozinhos e beijaremos os riscos que nos cortarem as mãos. Seremos sempre aquela oscilação serena que se abandona nos telhados. Quero, do mesmo modo que o céu, os tons de seu corpo. O presente é como um dia que arrisca terminar sua cor.


Melhor que nao termine!