do cosmo do corvo

Da íris dos olhos (III)

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Agosto 28, 2008

infinity: she is a composite number

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Agosto 25, 2008

dripping

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Agosto 22, 2008

Gostaria de escrever um texto que dissesse as diversas veias oníricas de meus textos, os processos cognitivos de minha linguagem automática. Questionar a existência do algo fora de meu ser atemporal. Um crítico talvez comportasse os contextos de minha construção. Mas, não consigo conceber o tempo de meus discursos, por isso, durmo. Talvez construa uma idéia sobre leituras, sejam elas, pessoais ou linguagem pura. Em meus sonhos nada dura.

Da íris dos olhos (II)

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Agosto 21, 2008

Restos Gestos

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Agosto 19, 2008

Um poeta impossibilitado de falar escreveu, por mera falta de inspiração, em seu peito e braços, nas pernas e nos olhos:

“Tão rígidas se formam na boca as palavras. Nenhuma brisa frígida será capaz de carregar a rigidez desse silêncio encarcerado em meu coração e tecidos, em minhas cordas vocais, mucosas e nos ouvidos. Mais um trago de pedra e meus dentes se tornarão o concreto de inúmeras tumbas. Minha língua deslocará sua rigidez muda. Tudo permanecerá idêntico ao silêncio agudo que não me lega palavras, não me deixa existir pleno, que costura meus lábios com um sorriso palpável de desconfiança. Tem razão, eu realmente não agüentaria o sofrimento de não poder dizer a rigidez de pedra de teus dizeres, não agüentaria ter meus lábios selados, não suportaria não possuir  língua para gozar em suas ancas os desgostos não ditos, nas aftas já secas de tua saliva, em suas transparências ignotas. Não agüentaria levantar paredes que me aprisionem. Morreria sem janelas que me sufoquem. Permanecerei sendo escutado pelas vozes que te consomem os pensamentos. As mesmas vozes-gestos-agulhas que me enlatam o mundo, que bebem de meus ventos, que me amam e, justamente por isso, devoram as minhas margens. Um dia, quem sabe, degole essa liberdade híbrida que não consigo dizer.”

Poeta que morreu reduzido às palavras acessas. Cansou das velhas cortinas. Morreu cheiro de pó e apenas. Não há mistério no cheiro de sangue escrito em sua goela. Houve um tempo de essências e de soslaio morreu cúmplice de seus respingos escritos nos olhos. Houve um tempo de gestos-disfarces intransponíveis, além de cortantes; voz presente jamais. Refletiu sobre as transparências das tardes inauditas de suas infâncias e novamente matou seu corpo e trespassou culpas.

Alegorias atadas à cama

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Agosto 7, 2008

Junto à cama. Ela. O mundo. Imóvel.  Relógio. Inumeráveis ponteiros. Pousava os olhos em si mesma. Girava. Ela sabia como se enxergar, tatear, se ouvir e se dizer. Tinha pés. Dentes. Também mãos e cobertores. A Cama. Tornara-se imóvel. Zumbido. Noite. Luz. Cortina. Vento. Ponderava minuciosamente diversas ânsias de movimentos. Prematuros e ardentes gostos derretiam os lábios. Sentia-se. Saliva. Talvez movesse somente os dedos. Seios. Queria roçar, morder, unhar, gemer. Primeiro um dedo. Língua. Suor. Calor. Uma aranha tecia, lentamente, sua queda. Debaixo do travesseiro: Mosquitos. Unhas. Riscos. Carne. O mundo escoava; coçava.  Muros pacatos. Espaços vazios. Hoje. Malícias. Já. Pimentas. Formigas. Agora. Pêlos. Queria aprender a morrer. Gozar era quase aprender. O Sangue. O Branco. Os Dentes. O Vermelho. Úlceras. Que importa este impulso se permaneço nesse momento? Pensou. Uma perna fugiu. Outra. Passos. Uma sombra se projetou na parede. Duas. Permaneceram. Jornal. Cadeira. Telefone. Cigarro. A aranha sabia dos pés mesmo sem tê-los. Atados. As teias. As veias. O Pulso. Eu. Matei e não me arrependi. Morri sorrindo. Lençóis. Mãos. Sua linda nuca. O ruído de dois corpos apodrecendo.

Querer: As manhãs.

Publicado em Sem-categoria por Frederico Martins em Agosto 3, 2008

Te quero as manhãs. Entrever a aurora orvalhando na pele suas rosas. Te quero as manhãs para sobrevoar o fim. O renascer dos lábios que me devoram e destroçam. Teu olhar que germina destruição, triste como um triste cão. O céu também deseja que lhe envolva. Avessos voam os pássaros buscando seus seios, ninhos, em vão. Qual abelhas, os pássaros, buscam no mel um resto que lembre seu corpo. As nuvens já não choramingam. Elas aprenderam a lua. As nuvens escapam da lua quando não ocultam os desejos. Repare bem a multidão. São tantas as horas, as ruínas, nos rostos. Percebe como cavam fossas sem saberem aonde chegarão ou quem se tornarão? Não percebem que sempre será insuficiente o oxigênio e a força dos braços. Será, também, essa a nossa sina? Nunca! Sabemos que não existe destino que não o toque. Não existem destinos, nem esperanças, que nos deite no chão. Nós nos deitaremos sozinhos e beijaremos os riscos que nos cortarem as mãos. Seremos sempre aquela oscilação serena que se abandona nos telhados. Quero, do mesmo modo que o céu, os tons de seu corpo. O presente é como um dia que arrisca terminar sua cor.